Falta de rede de apoio ameaça permanência de mães adolescentes na escola

17 de setembro de 2026 às 15:19

Para candidata a vaga na Alego, mães menores de idade precisam de profissionais especializados na rede pública de ensino para não comprometerem seu futuro

Goiás é um dos estados brasileiros com o maior percentual de filhos de mães menores de idade do Brasil. De acordo com números do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), 10,7% dos bebês nascidos em 2025 têm mães menores de 18 anos. Ainda segundo o mesmo levantamento, foram 330 o número de recém-nascidos filhos de mães entre os 10 e os 14 anos.

Esses números exercem impacto direto na vida dessas dezenas de milhares de jovens. Para a jornalista e candidata a deputada estadual Arianne Cândido (União Brasil), o principal fator negativo, e aquele que mais compromete o futuro das jovens, é a evasão escolar. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD Contínua) referentes a 2023, mais de 23% das mães menores de 18 anos abandonavam a escola devido a fatores diretamente relacionados com a gravidez, gestação e/ou parto.

Os fatores perpassam todas as fases que envolvem a gravidez na adolescência. Antes do nascimento envolvem rotina de consultas e mudanças físicas que resultam, por exemplo, em cansaço excessivo, com perda de conteúdo na escola e dificuldades de acompanhamento da turma. Após o parto, envolvem os cuidados com o bebê e passam pela falta de creches ou redes de apoio inadequadas. A redução de tempo disponível para estudo é a consequência mais comum nessa fase.

“Qualquer política pública que se ocupe desse cenário deve levar em conta a necessidade de uma rede de apoio que realmente funcione. Se estivermos falando no curto prazo, então, nem o Poder Público nem a sociedade podem ficar esperando a redução do déficit de creches em Goiás, que é de mais de 36%”, avalia Arianne.

Para a candidata, a melhor rede de apoio que pode surgir no curto prazo deve reunir esforços da escola, em consonância com familiares e responsáveis. Arianne sugere um profissional especializado na rede pública de educação, cujos cuidados seriam o de monitoramento preventivo de evasão escolar de mães menores.

“Esse profissional da área educacional vai monitorar faltas, rendimento, identificar os sinais de abandono escolar antes que ele aconteça de fato, negociar reposição de atividades e funcionar como uma ponte entre a escola e a rede de assistência social, de um lado, e da área de saúde pública, de outro”, explica Cândido.

Para a candidata, esses cuidados no âmbito da rede pública de educação tem de estar acompanhado por um plano individual de permanência escolar. “Tem de haver uma conciliação. De um lado, você tem os procedimentos de saúde pré-natal, as consultas programadas e os cuidados especiais de nutrição. De outro, existem os ajustes temporários de frequência nas escolas, a adaptação das atividades curriculares e a recuperação de conteúdos se houver necessidade, tudo com o uso possível da modalidade EAD. Tudo tem que estar submetido a um objetivo fundamental: o retorno planejado à escola após a gestação”, comenta.

Por fim, Arianne ressalta a necessidade de o apoio familiar se fazer presente. “A rede familiar deve estar formalizada. Tem de haver um verdadeiro pacto entre a mãe menor, os pais ou responsáveis e a rotina que viabilizará o tempo disponível para estudo”, explica Arianne. “Tudo deve estar previamente acordado: horários, calendários, período de avaliações. Quanto menos surpresa, melhor”, afirma.

Para Cândido, esse caráter de prévio planejamento evita que pais ou responsáveis venham a reforçar mecanismos psicológicos que costumam fortalecer a decisão de abandonar os estudos. “Medo, culpa, estigma e baixa autoestima fazem da escola um luxo para essa mãe menor em algum momento das dificuldades envolvidas. Uma coisa é preciso deixar clara: escola não é luxo. É necessidade básica, quase tão vital quanto comer”, enfatiza.